A ESCOLA DOS MEUS SONHOS
Na escola dos meus sonhos, o aluno é preparado para ser um cidadão, e não para fazer as provas e passar de ano, sem saber como se comportar nas situações mais simples do dia-a-dia.
Na escola dos meus sonhos é enfatizada a linguagem, como um todo, e na alfabetização, que é a parte mais importante, o aluno é incentivado a ler muito assim que aprende a ler, através da leitura das coisas mais agradáveis, adequadas à sua idade, e não de livros “indicados” por membros da educação “indicados” por algum político.
Na escola dos meus sonhos o ensino é iniciado do começo, e não como em um manual de instruções, do qual ninguém consegue se “guiar”, e tudo o que for aprendido vai ser utilizado na prática da vida real, para ajudar na administração de coisas que têm valor, como nossa casa, nossa família, e nossa vida financeira e cultural.
Na escola dos meus sonhos as matérias são ensinadas de forma que tenham alguma utilidade prática, e valorizem o ser humano e a sua relação com o meio-ambiente.
Na escola dos meus sonhos a história é ensinada para que o aluno possa entender como chegou até aqui, a evolução, a tecnologia, para valorizar os pioneiros que trouxeram benefícios à humanidade em geral, e não aos personagens políticos que dão nome às ruas e avenidas das cidades.
Na escola dos meus sonhos a matemática é ensinada para que o aluno saiba administrar seu próprio dinheiro, saiba se deve comprar com cartão, cheque pré-datado ou à vista, e possa ajudar sua família a cuidar do seu patrimônio e evitar os desperdícios, e não a ser especialista em equação do segundo grau, que não têm utilidade nenhuma.
Na escola dos meus sonhos os professores de língua inglesa, por incrível que pareça, sabem falar Inglês, e pronunciar as palavras corretamente, e não “arruínam” o inglês dos alunos, a ponto de perder 10 anos estudando o idioma e não aprender nem o verbo “to be”. Mas também, como alguém poderia ensinar outras pessoas as técnicas de natação sem saber nadar?
Na escola dos meus sonhos os professores de português não vão exigir que os alunos que nem sabem ler perfeitamente interpretem textos de Carlos Drummond de Andrade (eu mesmo só fui gostar de Drummond após os 35 anos de idade), e sim obras literárias condizentes com a idade e compreensão de cada um.
Na escola dos meus sonhos o trânsito é matéria obrigatória desde o começo da vida escolar, e o aluno jamais vai se tornar um assassino atrás de um volante, nem vai colocar a vida dos outros em risco, pois vai conhecer seus direitos (e os dos outros) e deveres.
Na escola dos meus sonhos a ecologia, preservação da água, reciclagem, são matérias obrigatórias, e são aplicadas em casa, e os alunos ajudam a corrigir os erros e desperdício de seus familiares, tornando nosso planeta um lugar cada vez melhor para se viver. A geografia é ensinada para que o aluno saiba que os países são parte de um único lugar: o planeta Terra, que está doente e precisa de todos nós para se curar.
Na escola dos meus sonhos ninguém aprende a “colar” as fórmulas para fazer as provas de matemática, física ou química. Não vai haver fórmulas, mas sim soluções simples para os problemas, como é feito na natureza. As abelhas não sabem nenhuma fórmula, mas constroem as colméias com uma perfeição e aproveitamento de espaço que nem o melhor arquiteto do mundo conseguiria fazer melhor.
Na escola dos meus sonhos os alunos tratam os professores como mestres, e como pessoas que são um modelo na vida deles, e não com ameaças, violência ou desrespeito. Mas os professores tratam os alunos como filhos, e sabem de sua verdadeira função de educadores.
Na escola dos meus sonhos os professores não se parecem com a Xuxa ou algum Big Brother, mas sim com eles mesmos, e têm orgulho do que são, procurando melhorar a cada dia a qualidade do ensino, e não tanto a aparência exterior, que é conseqüência do bem-estar interno.
Na escola dos meus sonhos a arte é valorizada, e vão surgir muitos artistas verdadeiros, e nunca “artistas” que são treinados para ser “celebridades”, e que seguem a moda atual para ganhar mais dinheiro e fama a qualquer custo, inclusive da dignidade.
Na escola dos meus sonhos ninguém exige nada dos alunos além do necessário, mas eles têm consciência do que precisam fazer, e têm disciplina, aprendida naturalmente.
Na escola dos meus sonhos as crianças são crianças, e jamais serão adultos frustrados, depressivos ou problemáticos.
Na escola dos meus sonhos todos têm muitos momentos de diversão, para que saibam que a vida e as outras pessoas precisam de seu bom humor, que contagia a todos ao seu redor.
Na escola dos meus sonhos não haverá aula de religião, mas sim de religiões, para que o aluno conheça as opções que tem de buscar a Deus, que não está em nenhuma religião (e está em todas), mas dentro dele.
Na escola dos meus sonhos nenhum aluno assiste palestras de motivação, pois todas as aulas já dão motivação, pois todos os educadores já estão motivados, e os alunos também.
Na escola dos meus sonhos o excesso de informações desnecessárias é eliminado, para que o aluno tenha espaço em seu cérebro para ser ocupado com sabedoria.
Talvez os presidentes, ministros, governadores, secretários de educação tenham um mínimo de discernimento, se esqueçam um pouco de dar os cargos comissionados a alguém por motivos partidários ou de “amizade”, e pensem em qual seria a escola dos seus sonhos, e onde gostariam que seus filhos estudassem, e algum dia pudessem chegar à conclusão de que a nossa escola atual está longe de preparar algum aluno para a vida que gostaríamos que ele tivesse.
É desolador verificar que entra governante, sai governante, nenhum deles tenta mudar as estruturas educacionais, que já ruíram há muito tempo, e precisam ser reconstruídas.
Somente nós, os brasileiros com acesso à informação e cultura podemos mudar isso. Não podemos permitir que as bolsas-família, big brothers, pânicos na tv, caras, Faustões, Gugus, Xuxas, R.R.Soares, Zezés de Camargo, Lucianas Gimenez, e outros “formadores de opinião” acabem com a nossa educação e cultura. Nós somos melhores do que isso. E temos que exigir respeito na TV, jornais, revistas, rádio, etc.
Texto de um brasileiro que não tem depressão, stress, ansiedade, não quer estar “nos holofotes”, e prefere a simplicidade de um lugar com muita natureza, e a companhia das plantas e animais inofensivos, e muita água corrente.
Fernando Antônio de Morais Siqueira